Voando com um Narcisista 一 Flying with a Narcissist 一 与自恋者同行

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A Primeira Lua de Sangue

Ele disse que já amava o Brasil

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Flyzila
mai 02, 2026
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Bali, 4 de setembro de 2025.

O mês de setembro teria semanas mais calmas, pelo menos nas três primeiras. Havia fechado uma parceria para estudar mandarim por três semanas em Xangai. Pude, pela primeira vez, juntar o relacionamento, o interesse por aprender mandarim e o trabalho de criador de conteúdo.

Mas antes de voltarmos para a China, aconteceu algo no aeroporto de Bali que somente hoje me chama a atenção.

Na saída do Aeroporto de Bali, Dorama passou pelo raio-x mais rápido que eu, somente com sua famosa bolsa de ombro preta e sua Rimowa da Dior. Eu, com uma mochila cheia de câmeras, carregadores e baterias, precisei ser inspecionado por alguns minutos a mais.

— Me espera na frente do banheiro depois da imigração — ele enviou por mensagem.

Eu o acompanhava de longe. Ele passou pela alfândega e entrou no banheiro. Alguns momentos depois, saiu e foi em direção à área das lojas do aeroporto.

— Não consigo te encontrar — ele enviou novamente. — Estou te esperando no portão 6.

Eu o via digitar a mensagem enquanto esperava para passar pela alfândega. Ele não havia me procurado — simplesmente saiu do banheiro, digitou a mensagem e continuou caminhando.

Essa situação de ser deixado para trás já havia acontecido antes. Quando chegávamos a algum aeroporto, eu queria filmar os lounges para os vídeos. Dorama sempre preferia ir caminhar pelas lojas. “Eu gosto de caminhar pelo aeroporto”, ele dizia.

Lembro que nesse dia fiquei mais irritado por ter sido deixado para trás novamente, ao invés de ter pensado que havia algo a mais nessas “caminhadas pelo aeroporto”. Mas você vai entender por quê mudei minha percepção sobre esse comportamento em breve.

Xangai, 5 de setembro de 2025.

Era a quarta vez que eu voltava para a China em apenas três meses. Apreensivo, preparei todos os documentos possíveis para comprovar minha intenção na viagem: matrícula da escola, seguro-saúde, meu crachá de comissário da companhia aérea — e estava pronto para apontar para o Dorama ao falar que ficaria na casa de um amigo.

Na minha terceira entrada, o oficial havia questionado por que eu estava voltando para a China pela terceira vez. Ao mesmo tempo que tentava explicar da forma mais natural e verdadeira possível, via um brasileiro chegando a negócios no guichê ao lado — a máquina que faz a leitura do passaporte pede que o viajante se posicione em frente à câmera no idioma do país de origem.

Ele disse que visitaria algumas fábricas a negócios. O oficial pediu uma carta convite ou nome de algum responsável pela visita. Ele gaguejou, não tinha a informação — foi levado para uma sala junto de outro oficial.

Eu pedia enfaticamente que Dorama me esperasse atrás do meu guichê. Não que fosse resolver algo caso decidissem me interrogar, mas pelo menos ele saberia o que aconteceu comigo.

Imagina se eu tivesse ficado para trás em Bali — seja na entrada ou na saída. Dorama jamais saberia de nada porque não me esperou em nenhuma das duas situações.

Dessa vez, não fui questionado. O oficial foi muito gentil e me desejou bons estudos

Xangai, 7 de setembro de 2025.

Conforme voltava novamente à China, mais pessoas chegavam ao meu perfil interessadas pela história do Dorama Chinês. Os vídeos curtos no Instagram e TikTok já acumulavam milhões de visualizações, os vlogs diários no YouTube eram acompanhados por dezenas de milhares de pessoas diariamente.

Muitos brasileiros que moram na China já acompanhavam a história há algum tempo. Um deles me enviou uma mensagem com informações sobre o Brazilian Day de Xangai — uma festa de celebração da cultura brasileira que acontece em diversos países pelo mundo.

Minha primeira festa do Brazilian Day foi em Nova York, quando eu ainda tinha 22 anos e visitava a cidade como turista. A energia é inigualável — tão maravilhosa quanto uma festa no Brasil, e me arrisco dizer que, pela maioria dos participantes estarem há tantos anos longe do país, a festa supera expectativas.

Eu já havia convidado Dorama para ir ao Brasil, claro. Queria que ele conhecesse nossa cultura e minha família. Mas durante o Brazilian Day de Xangai, tudo mudou.

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